Cacos pelo chão



Que história é essa a nossa, hein?
Começa naquela história em que unimos a taça virgem e o vinho espaçoso. Era um recipiente limpo, onde se refletia alguns rostos, até que começou ser manchada algumas vezes de batom vermelho, cor quente e vibrante. Depois a água corrente lavava e nada era tão demais, gostava desse ir e vir da vida, vermelho e incolor. Foi numa noite estranha em que derramaram o vinho diversas vezes até que se espatifaram os dois: a taça e o vinho (que eu não sei qual). Caíram, mas apenas ela quebrou. Ele se espalhou com um cheiro forte, quase lembrava éter, o outro ser espatifado fez um pequeno corte na mão, mas não gritou, não estava em condições, apenas dormiu tranquilo e depois ao se erguer sentiu ainda o cheiro forte do vinho misturado ao sangue que se espalhara, e aos cacos coube a rejeição e a lixeira. Alguns pedacinhos minúsculos ficavam ali brilhantes e imperceptíveis, furando alguns pés descalços sem querer, por ser obrigada ser apenas cacos de vidros. O cheiro se extinguiu do ambiente, mas naqueles fúteis caquinhos impregnado estava. A taça, o vinho e o outro. Os outros. E nós. E eu? Quem sou? Nem taça, nem vinho, nem outro. Só cacos.