Nessa página em branco, vejo como poderia ser se já não fosse
Sou quase que sem querer
Linhas, rabiscos, decodificações
Meio sem temática e sem caminho como o que escrevo agora
Contudo, vou no vão
Posso ser nessa nova frase uma nova história
De grão em grão, encho-me de vida
Encho-me de letras, palavras, frases e muita orações pra continuar
Encho-me de intenção de escrever e viver
Pra dizer que não
Recuso-me ser como um deserto
Recuso-me ver a vida escorrer como água entre meus dedos
E de ter um coração tão gélido, parado e seco
Pra dizer que sim
Aceito a chuva
Aceito o dançar por entre essas gotas que fazem música
ao cair no chão
E meu coração num leve susto, pula
Meus pés acompanham a valsa com a nobre solidão
que hoje também dança
Toda gota é prova de que atravessei o deserto
Toda gota é demonstração de que não há mais hemorragia
Mas um derramamento de vida
E meu corpo por inteiro se rende, não como prostração,
mas sim como quem descansa tranquilamente
nesse chão que meus pés podem tocar, sem se perderem.
Sinto-me alagada de esperança, paz e confiança, enfim.
A vida convida sempre pra uma nova
história
palavra
como oásis
Aceito sim, navegar
Aceito sim, o convite de viver
Agora e todo dia, em todos os versos e estrofes!
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